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OS PROFETAS DO VELHO TESTAMENTO

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     Os livros dos profetas, formando quase um terço do Velho Testamento, contêm a doutrina e, em certos casos, a história pessoal dos profeta que apareceram isolados, a intervalos ou contemporaneamente, desde o séc. VIII ao séc. IV A. C. Este período é notável pelo largo desenvolvimento do pensar humano, e pelo aparecimento de ilustres

orientadores do espírito em todos os países do globo.

     Quando Sofonias previa a desgraça que devia cair sobre Jerusalém, e Naum descrevia a ruína de Nínive, Zoroastro, segundo um cálculo provável, empenhava-se a fundo na reforma da antiga religião iraniana. Quando Jeremias e Ezequiel insistiam na pregação do culto interior e puro a Deus, na conduta sincera e na responsabilidade pessoal, Confúcio dava à religião da China uma forma definitiva, enquanto Sidarta na Índia lançava os fundamentos do Budismo.

     Na era dos profetas que surgiram depois do exílio, encontrava-se em elaboração a antiga religião grega, enquanto os filósofos da Jônia concebiam novos e elevados conceitos do universo e os dramaturgos da Ática representavam os mistérios da vida humana, sem esquecerem o espírito de justiça a que devia subordinar-se.

     Atravessava-se, então, um período de grandes acontecimentos políticos: Israel, deixava de existir; a Assíria perdia a sua independência; Babilônia era submetida pelos persas; Jerusalém, após ter sofrido uma destruição total, vivia um período de ressurgimento nacional. A Grécia, depois de se libertar galhardamente do inimigo invasor, via-se a braços com a praga das lutas internas. Roma, a expandir-se avassaladoramente. Enfim, uma época brilhante em todos os ramos da ciência, da política e da estratégia, sem que todavia nenhum

sábio, nenhum político, nenhum herói tenham superado esses homens de poder e de visão, que foram os profetas de Israel e de Judá.

 

     I. A VOCAÇÃO PROFÉTICA

 

     Os pregadores do séc. VIII não foram os primeiros profetas, no sentido que normalmente lhe atribuímos. Vêm de longe, pois desde os tempos remotos de Abraão se vêm verificando esses testemunhos duma doutrina fixa, que, revelada gradualmente, se baseou, sobretudo, na pregação de Moisés. Os profetas, tal como este patriarca, foram "chamados" por Deus, que os encarregou duma missão altamente espiritual.

     Os diferentes nomes que a Escritura atribui aos profetas dizem algo do caráter e da natureza da obra desses homens excepcionais. O que vinha a ser então o profeta? Primeiramente um "homem de Deus", quer dizer mais intimamente ligado a Deus do que os outros homens, e, portanto, mais reto e mais justo do que eles. Em segundo lugar o profeta é um "servo de Jeová", com uma missão especial a cumprir, a de entregar uma mensagem aos povos. Daí ser o profeta o "mensageiro de Jeová". As suas palavras tinham uma autoridade e uma força que só podiam advir de Deus. Finalmente o profeta é um "homem de Espírito", no dizer de Oséias (#Os 9.7). Isto no que se refere ao poder e à autoridade do profeta. Mas, se atendermos ao fato de que era esse homem que explicava aos povos a mensagem divina, podemos ainda acrescentar aos epítetos do profeta o de "intérprete".

     Mais três nomes vêm-nos indicar como o profeta recebia a sua mensagem, e a seguir como a tornava conhecida. Dois deles roeh e chozeh significam "vidente". O profeta vê o que não é dado ver aos restantes homens, mas não por mérito próprio devido a uma excepcional perspicácia, ou a um poder de penetração, que são apanágio de inteligências agudas e experientes. Também não se trata do emprego de meios semelhantes aos que se utilizavam na adivinhação ou no ocultismo. A "visão" do profeta resulta exclusivamente dum dom sobrenatural, independente da vontade do mesmo profeta, pois o objeto dessa visão é revelado por Deus. Não vá julgar-se, porém, que tal submissão a Deus pode implicar uma passividade absoluta. O uso das faculdades normais do profeta não fica em suspenso, como se pode deduzir da palavra "vidente", já que, quando mais não seja, a visão exige não pequeno esforço da parte do profeta, preparando-se para ela, as mais das vezes, com oração e com rogos (cfr. #Dn 9.3).

     A terceira palavra em questão, mais freqüente e que se traduz por profeta, é nabi, e dá a entender que a pessoa assim designada é um verdadeiro intérprete. Ao contrário de Elias e Eliseu, os últimos profetas não operavam milagres. Confiavam inteiramente nas palavras escritas ou proferidas, e reforçadas de vez em quando por uma ação simbólica (cfr. #Jr 28.10). Embora unidos ao passado, interessavam-lhes, sobretudo, as circunstâncias do presente. Por isso, as suas obras refletem a vida política, econômica, social, moral e religiosa da época em que viveram. Assim se explicam algumas das descrições de reinados sucessivos dos livros dos Reis e das Crônicas.

 

     II. O FUNDO HISTÓRICO

 

     Durante os vários séculos da atividade dos profetas, a história de Israel e de Judá foi largamente afetada pelas ambições de três grandes países: Assíria, Babilônia e Pérsia. E de tal modo o domínio foi exercido pelos vencedores, que podemos agrupar os acontecimentos conforme o período desse domínio exercido. As datas são, por vezes, apenas aproximadas, e por isso não admira que nem sempre concordem as cronologias apresentadas.

 

     a) O período assírio

 

     Durante a maior parte do reinado de Jeroboão II (783-743 A. C.) a Assíria encontrava-se plenamente absorvida com os seus assuntos internos, de maneira a não incomodar as pequenas nações, que prosseguiam tranqüilamente na sua política individualista. Jeroboão estendera as fronteiras do norte até aos limites do reinado de Davi, com exceção de Judá. Este acontecimento, já foi anunciado por Jonas (#2Rs 14.25), foi seguido por um largo período de prosperidade material, como se depreende da pregação de Amós e Oséias. Estes

profetas não deixam, todavia, de acentuar o declínio espiritual e a corrupção dos costumes que então atingiram um nível nunca alcançado.

     Em 745 A. C. Tiglate-Pileser III,  após uma série de campanhas militares, procurou infiltrar-se na Ásia ocidental, acontecimento também previsto por Amós e Oséias, mercê dos pecados de Israel. Amós, por exemplo, profetizou a destruição da corte real, profecia que se cumpriu quando Zacarias, sucessor de Jeroboão, foi assassinado pelo usurpador Salum, após um efêmero reinado de 6 meses. Com a queda da dinastia de Jeú a história de Israel sofreu novas alterações. Cinco reis subiram ao trono e em breve espaço desapareceram. Ao cabo de um mês Salum foi assassinado por Menaém, que passou a reinar dez anos, embora durante quase cinco pagasse tributo à Assíria.

     Quando, porém, subiu ao trono seu filho Pecaías, uma revolta substituiu-o por Peca que, não concordando com a política da Assíria, formou uma aliança com a Síria e atacou Judá, possivelmente por não querer aderir àquela aliança. Foi nesta altura que Isaías previu a queda de Samaria e Damasco. Não obedecendo aos conselhos do profeta, o rei da Judéia, Acaz, pediu socorro à Assíria, a que Tiglate-Pileser III respondeu com a invasão duma grande parte de Israel, levando a população dos territórios invadidos e reduzindo o reino do norte a estreitas fronteiras. Peca foi assassinado por Oséias, e Israel mais uma vez passou a pagar tributo à Assíria. Em 732 A. C. Damasco sofre a invasão da Assíria, o mesmo sucedendo dez anos mais tarde à Samaria. Oséias, encorajado pelo Egito, revolta-se contra a Assíria, mas falhou a tentativa de atingir a liberdade. A cidade foi cercada pelo exército de Salmaneser V e, após três anos, capitulou ao seu sucessor Sargom II. Os sobreviventes foram exilados e o reino do norte deixou de existir.

     Como Israel, no reinado de Jeroboão, Judá no tempo de Uzias aproveitou a relativa liberdade e independência para desenvolver o poderio militar e intensificar o comércio. Coroadas de êxito tais tentativas, não deixou, todavia, esta prosperidade material de conduzir ao esquecimento de Deus. Isaías, que começou a sua missão profética no ano da morte de Uzias (cfr. #Is 6), oferece-nos uma descrição real dos males sociais e religiosos do tempo de Jotão. Em virtude de Acaz, seu sucessor, não ouvir as advertências do profeta na altura da guerra entre a Síria e Efraim, Judá perdeu a sua independência, o que veio trazer conseqüências desastrosas para a vida religiosa da nação.

     Durante algum tempo, Ezequias continuou a política de sujeição de seu pai e, quando o Egito pensou em fomentar uma revolta entre as nações mais pequenas, Isaías opôs-se a uma aliança e previu a queda do país. Associou, todavia, o usurpador babilônico a Merodaque-Baladã, depois do que profetizou o cativeiro de Babilônia (cfr. #2Rs 20.12-21). Morto Sargom II em 705 A. C., Ezequias revoltou-se contra a Assíria e atacou os filisteus, que eram seus tributários. A invasão de Senaqueribe, que terminou pela libertação miraculosa de Jerusalém, causou uma profunda impressão, e passou-se a confiar no Senhor, pelo amor que dedicava à Cidade Santa. Durante o período difícil, Isaías encorajou o rei e o povo a confiarem sempre no Senhor. Mais tarde, porém, vai censurar a nação por não dar glória a Deus, que acabava de derrotar o inimigo. A reforma de Ezequias, efetuada no tempo de Isaías e Miquéias, eliminou as práticas introduzidas por seu pai Acaz (cfr. #2Rs 16.2-4,10-12). Seu filho Manassés, porém, prestou vassalagem à Assíria e voltou ao paganismo, desta

vez acompanhado duma série de perseguições e de atos de violência, que tornaram detestável o seu reinado.

     Sofonias, ao profetizar o reinado de Amom, filho de Manassés, apresenta-nos também um esboço da sociedade do seu tempo. Após dois anos de governo, Amom foi assassinado pelo chefe dum partido, que poderíamos chamar reformador. Entretanto, o poder da Assíria

entrava no seu declínio. Ao findar o reinado de Assurbanípal (668 -630 A. C.), a atenção do rei de tal modo se concentrava nos acontecimentos do oriente e do sul, onde as invasões citas se tornavam um perigo ameaçador, que o Egito podia à vontade consolidar a sua posição de reino independente. Só depois da morte daquele rei em 625 A. C. Nabopolassar fundava o Império neo-babilônico. Como causa destes acontecimentos, em Judá, o filho de Amom, Josias, podia executar a reforma indicada no livro que encontrou no templo e estender a sua atividade até Samaria. Como Naum previra, Nínive foi conquistada pelos medos e pelos babilônios em 612 A. C. O império assírio perdia-se irremediavelmente, seguindo-se o domínio evidente de Babilônia.

 

     b) O período neo-babilônico

 

     Em 608 A. C. Faraó Neco levou a cabo uma expedição ao Eufrates, e Josias, receando talvez pela liberdade do seu povo, saiu-lhe ao encontro e deu-lhe batalha em Megido. Os acontecimentos que se seguiram em Judá têm uma estranha semelhança com a de Israel nos últimos anos. Só um dos quatro restantes reis de Judá morreu de morte natural. Tal como os profetas Oséias e Isaías-um dentro e outro fora do reino-estiveram em contato com os acontecimentos de Israel, assim Jeremias e Ezequiel na luta final de Judá foram os mensageiros da palavra de Deus ao povo.

     Depois da morte de Josias subiu ao trono seu filho Jeocaz, num reinado de curta duração, pois após três meses foi deposto, e exilado por Faraó Neco, que entregou o trono a seu irmão Jeoaquim. Jeremias compara a injustiça deste com o reto proceder do pai em relação aos pobres e necessitados (#Jr 22.13-19). E das suas palavras se conclui, que neste reinado também se levantou uma onda de paganismo gigantesca e avassaladora. A série de reformas promulgadas não alteraram o espírito da nação. Quem se beneficiou foi o Egito, que imediatamente aproveitou a sua supremacia para influir nos ânimos mais tímidos.

     Em 605 A. C. Neco perdeu a vida na batalha de Carquémis em luta com os babilônios. Judá foi subjugada e durante três anos Jeoaquim prestou vassalagem a Nabucodonosor, filho de Nabopolassar. Pouco depois Judá revoltou-se, mas, antes que Nabucodonosor interviesse para dominar a situação, faleceu Jeoaquim e subiu ao trono Joaquim, seu filho. Três meses mais tarde, em 597 A. C., capitulou e Nabucodonosor levou-o cativo para Babilônia, juntamente com as pessoas mais destacadas do país. Esse cativeiro durou trinta e cinco anos.

      A capitulação do rei de Judá veio, no entanto, prolongar a vida de Jerusalém por mais dez anos. Matanias, tio do rei cativo, foi colocado no trono por Nabucodonosor que lhe mudou o nome para Zedequias. Em 594 A. C. surgem embaixadores dos pequenos estados vizinhos a solicitarem apoio para uma revolta comum. Isto deu azo à discussão travada entre Jeremias e Hananias, em virtude de o primeiro não ser favorável à dita revolta (#Jr 28.1-7). No momento o motim não chegou a realizar-se, vindo, porém a suceder mais tarde no tempo de Faraó Hofra com um novo cerco a Jerusalém. Faraó, porém, foi derrotado pelos homens de Nabucodonosor, e em 586 A. C., após uma resistência tenaz, a cidade foi tomada e deportados quase todos os seus sobreviventes.

     Entre os que ficaram no país contava-se Jeremias, que os babilônios libertaram, pelo fato de aconselhar a rendição (cfr. #Jr 39.1-14). O governador Gedalias, nomeado por Nabucodonosor, não conseguiu, todavia, manter a paz e a ordem, pelo que foi assassinado por um grupo de conspiradores chefiados por Ismael (#Jr 41.2), que fugiu para junto do rei de Amom. O resto do povo, conduzido por Joanã, dirigiu-se para o Egito e com ele seguiu Jeremias. Estabelecendo-se nas cidades fronteiriças, depressa foi posto de lado o culto de Jeová. É que os espíritos ficaram completamente transtornados após a destruição de Jerusalém. Quando Jeremias protestou contra o culto da Rainha do Céu, então freqüente entre os judeus no Egito, as mulheres logo replicaram que não podiam abandonar tal culto, uma vez que só a adversidade as perseguia, desde que seus pais deixaram

de o praticar.

     Dos primeiros cativos levados para Babilônia salientaram-se Daniel e seus companheiros, que, apesar de viverem na corte pagã, ficaram sempre fiéis ao culto de Jeová. De dois passos de Ezequiel (#Ez 14.14,20) muitos concluem ser familiar a história de Daniel aos outros exilados, que lhes servia de exemplo.

     O livro de Ezequiel fala-nos largamente dum grupo de judeus cativos que, levados com Joaquim, se tinham estabelecido num lugar chamado Tel-Abibe. O profeta era um membro desta colônia. Da carta que Jeremias lhes dirigiu (#Jr 29) pode deduzir-se que gozavam de grande liberdade, pois é provável que vivessem em bairros próprios ou então num extenso território demarcado, onde não poderiam considerar-se prisioneiros no sentido rigoroso da palavra. Foram os anciãos que aí organizaram a vida social e religiosa, enquanto outros se entregavam livremente ao comércio, que prosperava cada vez mais, como podemos verificar pelos impostos que mais tarde foram lançados para a reconstrução do templo. Sob o aspecto religioso foi maior ainda o progresso.

     Longe de Canaã, nunca mais se deixaram seduzir pelos seus Baals. Nada poderia conduzi-los ao culto dos deuses dos vencedores assírios e egípcios. Graças à eficiente pregação de Ezequiel, e esquecidos os deuses de Babilônia, depressa era fácil regressar ao Deus de seus antepassados. Os sacrifícios não poderiam com facilidade ser oferecidos a Jeová, mas a oração substitui-los-ia. Guardava-se o sábado. Provavelmente lia-se a Bíblia com regularidade e em público, o que vinha fortificar os espíritos e contribuir para a divulgação da verdade. Era o princípio da sinagoga.

     Em 561 A. C. morreu Nabucodonosor. Os três reis que lhe sucederam reinaram por períodos relativamente curtos. Julga-se que o último, Nabonido, se tenha retirado para a Arábia, depois de ásperas contendas com os sacerdotes. Tornou-se co-regente seu filho Baltasar. Alguns anos antes Ciro, governador de Chuchan, pequena província do Elã, revoltou-se contra Astíages, rei da Média, e iniciou uma série de conquistas. Espreitava-o, porém, a ambição desmedida da Lídia, da Babilônia e do Egito, que se apressaram a formar uma coligação contra ele. Creso, rei da Lídia, todavia, atreveu-se sozinho a enfrentá-lo e em 546 A. C. viu a sua capital Sardes invadida e todo o reino devastado. Ciro então voltou a Babilônia, que submeteu sem esforço, em 539 A. C. O gênio militar e outras virtudes guerreiras deste monarca entusiasmaram a imaginação dos escritores antigos.

     E assim termina o período babilônico com a subida ao poder do grande rei.

 

     c) O período persa

 

     Inicia-se este período por um fato importante: o do cumprimento das profecias da restauração. Ciro simpatizava-se com as aspirações religiosas dos diferentes povos do seu império. Conta Josefo, que chegou a proteger os judeus, só porque lhe tinham sido apresentadas as profecias de Isaías. Em 538 A. C. publicou mesmo um decreto autorizando-os a voltar e a reconstruir a sua cidade. Partiram nesse ano os primeiros cinqüenta mil, chefiados por Sesbazar.

     Após sete meses de trabalhos intensos, estava restaurado o altar e já ali se ofereciam sacrifícios ao Senhor. Dois anos depois cavavam-se as fundações para a reconstrução do templo. Mas, devido à oposição da população local, as obras foram interrompidas até 520 A. C., e só se iniciaram de novo graças aos estímulos dos profetas Ageu e Zacarias. Zorobabel, neto de Joaquim, passou a governar o reino de Judá. O império persa via-se agora a braços com diversas revoltas que vieram ofuscar o alvorecer do reinado de Dario. Todas as atividades invulgares passaram então a ser objeto de suspeita. Tatenai, governador persa da Síria, mandou abrir um inquérito acerca da reconstrução do templo, e os judeus viram-se obrigados a recorrer à autoridade do decreto de Ciro, uma vez que a notícia confirmada chegara à corte persa. Dario, porém, atendeu às reclamações dos judeus, por serem justas e conformes à lei, e o templo ficou concluído em 516 A. C.

     Nada mais se sabe dos restantes exilados, até que em 458 A. C. chega Esdras com um novo grupo vindo de Babilônia e portadores de consideráveis presentes para o culto do templo. É talvez melhor colocar o ministério de Malaquias neste período desconhecido antes do aparecimento de Esdras, do que propriamente na altura em que Neemias se encontrava ausente na Pérsia. Sendo assim, facilmente se compreende que a missão de Esdras e a obra reformadora de Neemias vêm completar a doutrina que encerram os livros, cujos autores são aqueles profetas.

     Artaxerxes encarregara Esdras de organizar o culto do templo e de instruir o povo em conformidade com a Lei de Moisés. Catorze anos após a sua chegada, Neemias era nomeado governador da província e conseguiu restaurar as muralhas da cidade no curto espaço de cinqüenta e dois dias. Era o início da campanha reformadora, em que se empenhara, exterminando os abusos e fazendo uma aliança solene com o povo. Esta implicava, em princípio, a guarda da Lei Mosaica, a supressão dos casamentos com estrangeiros e do comércio ao sábado, e finalmente uma contribuição pecuniária para o culto do templo. A relação entre estas reformas, a que o povo se submetia, e as que Malaquias lhe pregava, dão a entender que aquela aliança pode ser considerada como o fruto da pregação do profeta.

 

     III. A DOUTRINA DOS PROFETAS

 

     a) A natureza de Deus

 

     Podemos considerar a religião como uma tentativa eficaz para estarmos de boas relações com o supremo Poder do Universo. O caráter e o valor dessas relações, dependem muito do conceito que formamos do objeto do culto. Ao tempo da morte de Josué, embora Israel já tivesse entrado na Terra de Canaã, os seus habitantes ainda não tinham sido completamente dominados. As grandes tribos e muitos outros grupos organizados continuaram a lutar por mais algum tempo, com mais ou menos êxito. Mas gradualmente os invasores estabeleceram-se lado a lado com as outras populações e, esquecendo as ordens de Jeová, com elas se misturaram em casamentos e começaram a adorar os seus deuses. Ainda mesmo quando conservavam pura a idéia do monoteísmo, os seus pensamentos começavam a deixar-se influenciar pelas opiniões que os vizinhos pagãos formavam das suas divindades.

     É muito possível que alguns adorassem o verdadeiro Deus, apenas enquanto era um dos muitos a quem podia prestar-se culto. Pensavam, por exemplo, que para obter o auxílio divino era suficiente transportar a arca para a batalha (#1Sm 4.5), ou então oferecer sacrifícios, embora com a consciência manchada por uma conduta irregular (#Os 8.12-13). Sendo estes os frutos da primeira apostasia, a missão dos profetas era a de tornar conhecida a natureza de Deus, ou antes dirigir de novo a atenção para ela e considerá-la melhor. Cada um utilizava um processo diferente, porque as mensagens dos profetas variavam conforme a sua experiência pessoal, as circunstâncias particulares de cada caso e a cultura daqueles a quem eram dirigidas.

     Mas há um conjunto de verdades primordiais, que mais ou menos constituem a doutrina dos profetas.

 

1) DEUS É O LEGISLADOR ONIPOTENTE DO UNIVERSO. É o Deus ou o Senhor dos Exércitos (#Am 5.27). Quanto ao significado original desse epíteto, não é fácil descobrirmos se se relaciona com o comando das tropas de Israel ou com os exércitos celestes. Nos últimos tempos, todavia, é possível que se refira a este último caso. As miríades de estrelas simbolizavam os exércitos dos céus, e o comando de tais estrelas implicava naturalmente a Onipotência (#Is 40.26).

     A tradução da Septuaginta dá um equivalente exato: pantokrator. O poder de Deus não se manifestou só na criação. Todos os dias o podemos admirar espalhado pela natureza. Ele é o Criador dos confins da terra e não se esgota a Sua energia criadora (#Is 40.28). Ele formou os corpos celestes e as massas rochosas das montanhas. Ele aciona os ventos, dirige a luz e orienta a chuva. O prado verdejante é um precioso dom de Deus. O míldio, os gafanhotos e outras forças ocultas de destruição obedecem às Suas ordens (#Am 4). O poder do Senhor manifesta-se ainda, e em larga escala, em todos os acontecimentos da história humana. Foi Ele quem retirou os israelitas do Egito e os levou para além de Damasco; (#Am 5.27), quem levou o povo da Síria para Quir, de onde o tinha retirado (#Am 1.5; #Am 9.7). A Assíria é a vara da Sua ira (#Is 10.5). Foi Ele quem suscitou os caldeus para realizar os Seus desígnios, (#Hc 1.6), e quem cinge Ciro para realizar o que Lhe agradar (#Is 44.28; #Is 45.5).

 

2) DEUS É QUEM GOVERNA MORALMENTE O MUNDO. Ele é santo, reto, justo e misericordioso. A palavra "santo", referindo-se a Deus, atinge nos profetas um significado moral, enquanto O distingue do homem na sua existência e na sua essência como criatura. A intervenção de Jeová na vida dos homens e nas nações nada tem do capricho que freqüentemente se atribui aos deuses pagãos. Tudo contribui para o desenvolvimento do plano que desde a eternidade tem em vista.

     Todos os homens são iguais perante Ele. Ele está presente em toda a parte a observar a conduta dos homens, cujos segredos conhece, mesmo os mais íntimos pensamentos (#Am 4.13). Quando castiga um país ou um indivíduo, é porque existe uma causa grave e não por mera bagatela como sucedia com os deuses olímpicos, que por uma insignificância, dizia-se, se iravam contra os homens. Há sempre um motivo: a violação da lei da justiça, que é comum a Deus e aos homens.

 

3) É O DEUS DA ALIANÇA COM ISRAEL. Enquanto criou e governa todas as criaturas Deus quis um parentesco especial e único com Israel e os seus habitantes. Vejamos: Escolheu-os de entre todas as nações da terra (#Am 3.2); chamou-os do Egito e instruiu-os paternalmente (#Os 11.1-4); deu-lhes a Lei para os orientar (#Os 8.12); exortou-os a obedecerem aos mandamentos (#Jr 11.7), etc. Mas o Seu povo revoltou-se contra Ele, expondo-se a sofrer graves conseqüências.

     Mesmo assim não o abandonou e manteve firme o plano previsto (#Is 6.13; #Mq 5.7-8). Deus só deseja o bem do Seu povo. Por isso não o entrega nas mãos dos inimigos, senão após inúmeros conselhos (#Jr 25.4,11).

 

     b) O pecado e o arrependimento

 

     Os profetas denunciam o pecado em termos decisivos, mas não deixam de insistir no valor do arrependimento. Amós, apesar do realce que dá à justiça inexorável, em nome de Deus incita Israel a procurá-lo para viver (#Am 5.4). Oséias alude à bondade divina e apela continuamente para que voltem para Aquele que é todo bênção e todo perdão (#Os 14). Jeremias, seguindo as pisadas de Oséias, proclama em termos ameaçadores a condescendência e a compaixão de Deus (#Jr 3.12). Isaías, cujo conceito de Deus é o mais elevado, declara que o Alto e o Sublime, que habita na eternidade, habita também com o contrito e abatido de espírito, para vivificar o espírito dos abatidos, e para vivificar o coração dos contritos (#Is 57.15). Noutro lugar frisa que Deus é grandioso em perdoar (#Is 55.7). Também Ezequiel, que tão profundamente descreveu a majestade e a santidade de Deus para os exilados, assevera-lhes que esse Deus não deseja a morte do ímpio, mas que se converta dos seus pecados e viva (#Ez 18.23). Tais mercês nem só a Israel são reservadas.

     Estranhos, como Ebede-Meleque, podem entrar na aliança e participar das bênçãos divinas (#Jr 39.15 e segs.; #Is 56.4-7) e até os confins da terra são convidados a procurar a salvação de Deus (#Is 45.22).

     Como orientadores ou chefes espirituais e religiosos, os profetas não tinham que escolher entre o seu Deus e a bondade. A doutrina que pregavam acerca do homem e dos seus problemas dependia diretamente da maneira como criam em Deus. Antes de tudo eram teólogos; e só em segundo lugar mestres e orientadores morais. Como Isaías, todos eram pecadores que alcançaram misericórdia e obtiveram o perdão, graças ao poder divino nele manifestado. Depois de pregarem Deus, a sua principal missão era a de convencer os homens de que eram pecadores, que deviam arrepender-se e deixar-se guiar pelo caminho da justiça. Por isso, as obras dos profetas não se apresentam como tratados sistemáticos, tal como os dos moralistas gregos. A doutrina dos profetas era de caráter acidental, a maior parte das vezes apresentada negativamente, na descrição e na denúncia do pecado. São, todavia, numerosos os casos de afirmações positivas, por exemplo em #Mq 6.8, onde se resumem os principais deveres a cumprir.

     Ao tratarmos do aspecto moral dum corpo de doutrina, é costume considerar-se o que se entende por sumo-bem, ou ideal; por virtude e por dever. Observando a doutrina moral dos profetas, fácil será verificar, que o sumo-bem é apresentado sob várias formas. Umas vezes, parece ser o conhecimento de Deus, outras a justiça, ou a graça divina concedida aos justos. Seja como for, há uma relação íntima entre todas estas formas. Sem o conhecimento de Deus, não é possível a justiça. Ora, enquanto a justiça implica a idéia do comportamento do homem perante o seu semelhante, na doutrina pagã não passa duma virtude de fundo muito variável; mas nos profetas, tem um sentido religioso. Ser justo é obter um voto favorável no

tribunal de Deus. Em alguns casos a palavra chega quase a ter o significado de "prosperidade". Daí, o condizer com o sumo-bem, que vem a ser a graça divina ou seja uma bênção não só espiritual, mas material também.

     O pecado é que impede de se procurar e atingir o sumo-bem; afeta o culto e a conduta dos povos; conduz à idolatria e afasta as almas do caminho do bem apontado por Jeová. Entre as personagens de maior destaque, merecedoras duma especial censura devida aos pecados cometidos, contam-se reis, políticos, sacerdotes, falsos profetas, comerciantes e chefes de família. Passemos agora a enumerar os principais pecados a que se faz alusão com freqüência:

 

1) PECADOS DO CULTO DE ADORAÇÃO. Estes pecados incluem a idolatria e todas as práticas que com ela andam associadas, a negligência no cumprimento dos deveres do culto, ou então uma atenção meramente externa com prejuízo do espírito da Lei (#Ml 1.13; #Os 6.6), e a profanação do sábado (#Jr 17.19 e segs.).

 

2) PECADOS DE ORGULHO. Estes conduzem à descrença e à indiferença em relação às ordens de Jeová, originando nos tempos difíceis uma confiança ilimitada nos chefes políticos e no poderio das nações, com desprezo absoluto pelo poder que vem do alto (#Jr 13; #Is 9.9).

 

3) PECADOS DE VIOLÊNCIA E OPRESSÃO. Os profetas defendem a causa das classes desprotegidas: os pobres, os órfãos, as viúvas, os escravos, e falam contra as prepotências dos ricos e dos poderosos.

 

4) PECADOS DE LUXÚRIA E INTEMPERANÇA. Estes pecados, que por um lado levam ao não cumprimento dos deveres, por outro incapacitam os homens de os cumprir devidamente.

 

5) PECADOS DE MENTIRA E DE IMPUREZA. Pelo primeiro desaparece a confiança política, comercial e social; pelo segundo, arruinam-se os fins da vida familiar.

 

     Segundo os profetas, as virtudes máximas do crente resumem-se a três: o arrependimento, a fé e a obediência a Deus. O arrependimento, que os profetas tanto pregam, implicando conhecimento do pecado, supõe um pesar por havê-lo cometido, que ao mesmo tempo obriga o homem a voltar-se para o bom caminho de Deus, enquanto se desvia do caminho da iniqüidade. A confiança em Deus é a fonte de energias para o cumprimento do dever, é o guia nas horas incertas, o conforto nas horas tristes, a prosperidade da vida espiritual. O conhecimento de Deus como Aquele que executa a paz, a justiça e a bondade na terra e se compraz nessa execução, é o que se recomenda acima de tudo (#Jr 9.24). Em seguida, lembra-se que a prática da justiça, da misericórdia e da humildade (#Mq 6.8) deve ser também do agrado do homem em obediência à vontade de Deus.

     Quanto aos deveres a cumprir, poder-se-ia resumir a doutrina dos profetas com as palavras de Malaquias, que são o fecho do Velho Testamento: "Lembrai-vos da Lei de Moisés, Meu servo, a qual lhe mandei em Horebe para todo o Israel, e que são os estatutos e juízos" (#Ml 4.4).

 

     c) Profecias Messiânicas

 

     Há a registrar ainda um aspecto importante da obra dos profetas, que não deve ser esquecido, se porventura queremos analisar até que ponto os profetas contribuíram na preparação de Israel para poder participar na redenção da humanidade. Além de lembrarem o passado e o presente, não deixaram de dirigir a atenção do povo para o futuro. A idéia de um "dia do Senhor" em que Ele havia de manifestar-Se em todo o Seu poder não era nova no séc. VIII. Na crença popular, todavia, significava um tempo quando Israel triunfaria de seus inimigos. Os profetas, por outro lado, acentuavam que para um povo desobediente seria um dia de trevas e não de luz. Deus seria vingado pelo castigo de todas os transgressores, fossem pagãos ou israelitas, embora os privilégios e as bênçãos prometidos aos cumpridores da Lei não sejam distribuídos senão com um critério justíssimo.

     Os profetas, no entanto, consideravam ainda outro aspecto, ao terem em vista o futuro que apontavam. É que não o faziam com o fim de aterrorizar os pecadores, lembrando-lhes a justiça retributiva de Jeová, mas por outro lado, revelava-lhes o plano de Deus em relação ao povo escolhido. Como as outras nações, também Israel tinha um ideal em vista, pelo qual lutava com todas as suas energias.

     Era necessário que a sua vida moral fosse estimulada, não só pela esperança mas também pela lembrança. Houve períodos na sua história em que se tornou notável a influência exercida pelos países circunvizinhos.

     Era de ver como se aplicava em preparar o exército e desenvolver o comércio e a indústria. Mas uma série de desastres e de revezes vieram desfazer o sonho dourado desta supremacia mundana, embora a chama de esperança se mantivesse viva ainda por muito tempo. A pregação dos profetas chamou a atenção para a verdadeira vocação do país e procurou exaltar os ânimos com a visão dum futuro glorioso, que de longe ultrapassaria a história do passado. Embora, por causa do pecado, o país tivesse de sofrer a perda do território nacional, do templo e da própria independência, não tardaria a oportunidade em que o povo seria purificado e enriquecido, após uma restauração vitoriosa, e iria instruir os outros povos no conhecimento do Senhor, orientando-os no caminho da justiça e da paz. Ora, o cumprimento de tais promessas vem quase sempre associado a uma Pessoa, apresentada sob diferentes formas, e ultimamente designada por Messias (#Dn 9.25-26). Já tinha havido uma série de profecias relativas a essa Pessoa a começar pelas do Proto-evangelho (#Gn 3.15), mas as que haviam de aludir mais diretamente ao Messias eram, sem dúvida, as dos profetas do séc. VIII em diante, que não se cansam de O apelidar Profeta, Sacerdote e Rei. É sobretudo nos últimos capítulos de Isaías que mais se desenvolvem os dons proféticos do Messias: É chamado desde o ventre (#Is 49.1); a Sua boca é uma espada aguda, uma flecha limpa na aljava do Senhor (#Is 49.2); Jeová dá-lhe uma língua erudita, para saber dizer a seu tempo uma palavra e todas as manhãs Lhe desperta o ouvido para que ouça, como aqueles que aprendem (#Is 50.4); a Sua mensagem é dirigida aos mansos (#Is 61.1), porque foi enviado a restaurar os contritos de coração e a proclamar a liberdade aos cativos, não só de Israel mas também dos gentios, pois levará a salvação até à extremidade da terra (#Is 49.6); finalmente, confiado no braço do Senhor, o Messias prosseguirá tranqüilamente a missão de que é incumbido, apesar do desprezo e das perseguições (#Is

49.7; #Is 50.5-7).

     Ser profeta entre as nações era, sem dúvida, a vocação de Israel, e o profeta por excelência só poderia sair de Israel. Mas há ainda outro aspecto a considerar. É que o Servo sairá vitorioso através do sofrimento e da dor. Ninguém Lhe dará crédito; será desprezado e incompreendido; levado à morte, mas sem um protesto; considerado um malfeitor, mas sem se opor nem defender; será atormentado pelos pecados do povo de Deus, e por eles oferecerá a alma ao Deus que o ressuscitará dos mortos para a justificação de muitos; pela morte será, pois, glorificado (#Is 52.13-53.12). O Novo Testamento atribui estas palavras a um único indivíduo-Nosso Senhor Jesus Cristo-e não a uma nação inteira (cfr. #At 8.35).

     Depois do exílio, Zacarias fala dum sacerdote, que será ao mesmo tempo rei. É muito natural que se trate da mesma pessoa, embora os outros profetas não desenvolvam tão largamente esta idéia. Ela aparece, todavia, no #Sl 110 e é o tema geral da Epístola aos Hebreus.

     O rei Davi simboliza dum modo especial o Messias-Rei. Como? O Messias nasce dum dos ramos da árvore de Davi, embora em circunstâncias humildes (#Is 11.1); é cumulado dos sete dons do Espírito, por isso só julga em conformidade com a conduta moral; como Juiz, é justo, reto e fiel; como Rei, subordinará as forças do mal, que irão sendo eliminadas à medida que o conhecimento de Deus se for espalhando pela terra; finalmente será o Salvador das nações e a Esperança de Judeus e de Gentios (#Is 11). Ao contrário dos reis da terra, não usará da força para obter e defender o seu império.

     Não cavalgará sobre ginetes de luxo, nem utilizará carros imponentes. Montará um simples jumentinho e o Seu império estender-se-á de um mar a outro mar, e desde o rio até às extremidades da terra (#Zc 9.9-10).

     Muitos outros passos das obras dos profetas aludem às excelsas virtudes desse grande Legislador. Isaías chama-Lhe o Deus Forte (#Is 9.6); Jeremias "O Senhor, Justiça Nossa" (#Jr 23.6); Miquéias declara que as Suas saídas são desde os tempos antigos (#Mq 5.2); Daniel vaticina-Lhe um domínio eterno, que não passará (#Dn 7.14). Outros textos falam-nos da missão divina do Messias, sem que por isso impliquem uma realeza no sentido humano. Zacarias descreve-O como o companheiro do Senhor dos Exércitos (#Zc 13.7) e Malaquias chama-Lhe o Anjo da Aliança que de repente virá ao Seu templo (#Ml 3.1).

     Acabamos de examinar algumas das muitas alusões ao Salvador nas obras dos profetas, mais que suficientes para provarem os traços gerais das profecias messiânicas, que a partir do séc. VIII começaram a trazer à luz, embora veladamente, a glória e esplendor celestial do Messias.

 

     W. J. CAMERON

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