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IGREJA E SEITA

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Pr. Walter Santos Baptista

     O assunto não é novo porque, já nos primeiros dias da Igreja Cristã, facções, partidos,

dissensões e heresias pretendiam dominar a cena. É bastante ir a 1Coríntios 1, e ler o apelo,

verdadeiro clamor, que faz Paulo, apóstolo, ao dizer:

"Rogo-vos, irmãos, em nome de nosso Senhor Jesus Cristo, que sejais concordes no falar,

e que não haja dissensões entre vós; antes sejais unidos no mesmo pensamento e

no mesmo parecer.Pois a respeito de vós, irmãos meus, fui informado pelos da família

de Cloé que há contendas entre vós.

Quero dizer com isto, que cada um de vós diz: Eu sou de Paulo; ou, Eu de Apolo; ou,

Eu de Cefas; ou, Eu de Cristo. Será que Cristo está dividido?

Foi Paulo crucificado

por amor de vós? Ou fostes vós batizados em nome de Paulo?"(versos 10-13).

     No entanto, o Novo Testamento é claríssimo quando alerta sobre os duvidosos

ensinos e nos passa:

"Porque virá tempo em que não suportarão a sã doutrina; mas, tendo grande desejo de

ouvir coisas agradáveis, ajuntarão para si mestres segundo os seus próprios desejos,

e não só desviarão os ouvidos da verdade, mas se voltarão às fábulas"(2Tm 4.3,4),

     E assim se introduzem nas vidas e mentes dos que lhe dão ouvidos e, por essa razão,

estão "sempre aprendendo, mas nunca podendo chegar ao pleno conhecimento

da verdade" (2Tm 3.7).

     COMPREENDENDO CONCEITOS

     Faz-se necessário, entanto, compreender alguns fatos sobre a palavra "seita".

Um deles é que o sentido desta palavra no Novo Testamento nem sempre é pejorativo, visto

que a palavra grega hairesis pode significar "partido, facção, grupo" ou, mesmo "heresia",

com o sentido de grupo divergente da crença de maioria. Deste modo, os judeus da época de

Jesus se dividiam em grupos ou partidos religiosos que recebem o nome de "seitas" com o

significado básico de "partido". O livro dos Atos dos Apóstolos menciona a

"seita dos saduceus" ou "partido dos saduceus" (BLH), a "seita dos fariseus", e a

"seita dos nazarenos" (respectivamente, 5.17; 15.5; 24.5,14).

Acrescente-se que a 'seita dos nazarenos" é o grupo dos cristãos entendido como

uma facção dentro do judaísmo.

     Primariamente, hairesis quer dizer "partido, grupo". Mais adiante, a palavra já conota

"facção, dissensão", e um pouco mais além, "heresia", "seita" (no sentido hodierno de grupo

de pessoas que esposam uma crença divergente da opinião pública chamada ortodoxa).

O assunto, porém, pode ser abordado sob diferentes perspectivas: a da Sociologia da

Religião, a Católico-Romana e a Evangélica Reformada.

    COMO DISTINGUIR?

     Como distinguir igreja de seita, pois igrejas e seitas compartilham características

sociais semelhantes? Como fazer para classificá-las de acordo com a ciência, com a

Sociologia da Religião?

     O precursor desses estudos foi Ernst Troeltsch, historiador e teólogo alemão que,

por volta de 1912, dividiu os grupos religiosos em duas largas avenidas. A um grupo chamou

"tipo igreja", a outro, "tipo seita". Convém salientar que são "tipos" ideais e não rígidos, até

porque grupos que, de acordo com a sociologia, teriam começado como seitas, em outro

momento tornam-se de "tipo igreja".

     O "tipo igreja", pela sociologia da religião, é eminentemente conservador. É grupo que

aceita, até certo limite, a ordem secular da sociedade onde está inserida; é grupo que usa

o Estado e a classe dominante, chegando ao ponto de dependência das classes altas. E

como o "tipo de igreja" se identifica com o país, quem nasce no país nasce também na Igreja

estatal. Com isso, minimiza-se a questão da santidade pessoal, e maximizam-se os

sacramentos e os clérigos que os administram porque distribuem a esperada

graça dos céus.

     Por outro lado, o "tipo seita" rejeita identificação com o mundo e com a sociedade.

Está mais para as camadas desfavorecidas ou sem poder; sua liderança é em geral

, leiga, e pontua-se, geralmente, o misticismo e o ascetismo. Esta é uma

abordagem de lato sensu..

     A Igreja Romana faz distinção entre cisma e heresia. Cisma é a recusa em reconhecer

a autoridade do papa, ou de manter comunhão com os fiéis de grupos subordinados ao

Vaticano. Isso acentua que as Igrejas Orientais ou Ortodoxas são cismáticas, mas não

heréticas. Heresia, para a Igreja Romana, é a negação de uma doutrina por ela esposada

por alguém batizado e que mantém o nome de cristão. Os grupos religiosos procedentes da

Reforma do século 16 (luteranos, calvinistas e independentes) são considerados, então,

heréticos, apesar do delicado eufemismo "irmãos separados".

     Na ótica católico-romana, seita é o grupo cristão que não endossa os dogmas, e certas

doutrinas da Igreja Católica Apostólica Romana. O parâmetro de aferição, nesse caso,

é comparar o grupo com a própria Igreja Romana e suas crenças e práticas.

É uma posição de stricto sensu.

     O caso dos reformados é outro. Inicia-se com o termo evangélico que é restritivo,

e não pode ser aplicado a qualquer grupo indiscriminadamente como o faz a mídia e

o povo em geral. É termo exclusivo, e salienta determinados princípios abrigados,

respeitados, e proclamados, deixando de lado o que não foi salientado pela Reforma.

Nesse caso, que método deve ser usado para se conceituar uma Igreja Evangélica e

uma seita popular e equivocadamente chamada "evangélica", e que a si mesmo

se dá esse nome?

     Já afirmamos que o tema é antigo. A carta de Judas nos exorta a "pelejar pela fé que

de uma vez para sempre foi entregue aos santos" (v. 3b). E explica que

"se introduziram furtivamente certos homens... que convertem em dissolução a

graça de nosso Deus" (v. 4). E o apóstolo Paulo completa: "aos quais é preciso

tapar a boca: porque transtornam casas inteiras ensinando o que não convém,

por torpe ganância" (Tt 1.11).

     Assim, em stricto sensu, uma seita (do latim secta, "cortado, separado" ou,

possivelmente de sequor, "seguir") é um grupo religioso desencaminhado, desviado

dos padrões de doutrina e prática do Novo Testamento, e dos princípios da Reforma.

     Então, se queremos conceituar Igreja Evangélica, devemos olhar para as bandeiras

da Reforma Protestante, que são os seus princípios. Para identificar que verdadeiramente

pode e deve ser chamado de "evangélico", e quem com eles é confundido, é bastante examinar

os estandartes da Reforma e analisar se o grupo ou movimento levanta esses

mesmos estandartes.

     Os princípios da reforma são: "Só a Graça, Só a Fé e Só a Escritura", aos quais

pode-se acrescentar, para ênfase tão somente, "Só Jesus". O parâmetro de aferição

é, portanto, comparar o grupo com o que ensina o Novo Testamento sintetizado nestes

princípios. É por esse motivo que o termo evangélico é restritivo e exclusivo.

     O evangélico começa com a Bíblia ("Só a Escritura"), que se constitui na sua regra

de doutrina e práxis. Se não está na Bíblia, o evangélico não endossa, ou, como diz o

escritor D. M. Lloyd-Jones: "um evangélico não subtrai nem acrescenta", porque se

fundamenta em Apocalipse 22.18, 19:

"Eu testifico a todo aquele que ouvir as palavras da profecia deste livro: Se alguém lhes

acrescentar alguma coisa, Deus lhe acrescentará as pragas que estão escritas neste

livro; e se alguém tirar qualquer coisa das palavras do livro desta profecia, Deus lhe

tirará a sua parte da árvore da vida, e da cidade santa, que estão descritas neste livro".

     Não basta o grupo chamado "evangélico" falar na Bíblia, ou em Jesus Cristo, ou em

salvação.

É necessário observar-se o que não diz, e o que só diz depois que faz um prosélito.

     De que Cristo estão falando? Há muito Cristo que não corresponde ao do Novo Testamento.

É o caso do Jesus de certas seitas que nada tem com o Filho de Deus. De que Espírito Santo

estão falando? Muita coisa tem sido atribuída ao Espírito Santo, e que não tem respaldo na

Bíblia; tanta coisa procedente de estados emocionais perturbados, ou peculiaridades de

temperamento, de indisposição orgânica, e de má formação doutrinária. O Espírito Santo

de certos grupos é exaltado acima do nome de Jesus, a respeito de quem diz o Novo Testamento:

"Para que o nome de Jesus se dobre todo joelho dos que estão nos céus e na terra, e

debaixo da terra, e toda língua confesse que Jesus cristo é Senhor, para Glória de Deus

Pai" (Fp. 2. 10, 11; cf. 1Co 8.6; Ap 5.13).

     De que salvação fala o púlpito de certos movimentos? Salvação pelo próprio esforço?

Pelo conhecimento (como pregam grupos neognósticos)? Salvação que tem que ser

sustentada pela guarda do sábado, senão se a perde?

     Sem dúvida, o passado tem muitas lições a nos ensinar. Há nestes dias uma situação

muito semelhante àquela anterior ao grito de Reforma: a Bíblia está sendo anunciada cada

vez menos. Cresce a indiferença para com a sã doutrina. A autoridade e

seriedade dos pastores evangélicos vêm sendo contestadas, duvidadas e rebaixadas,

trazendo como triste conseqüência a falta de respeito pelo santo e legítimo ministério.

Se olharmos para 483 anos atrás, veremos os líderes da Reforma olhando igualmente

para a Igreja do primeiro século, o que os desafiou a retornar ao ensino apostólico.

     Como evangélicos, nossas convicções são: crença na autoridade

da Bíblia (2 Tm 3.16; Rm 15.4): a doutrina basilar, central, medular de Jesus Cristo e sua obra perfeitamente

consumada (Jo 19.30; 17.4; Hb 5.8,9; 7.25-27; 9.12; 10.10-12); a crença no sacerdócio

universal dos que crêem (Ap. 15.6; 1Pe 2.5,9; Ap 5.10); a crença na pureza da Igreja

(Ef 5.25b-27; 2Co 11.2; Cl 1.22), o que leva à ortodoxia na pregação,

à pureza na música, e ao exercício da disciplina eclesiástica levando ao

crescimento do disciplinado e da congregação.

     O apóstolo Paulo até disse: "Porque lhes dou testemunho de que têm zelo por Deus,

mas não com entendimento" (Rm 10.2). Muito movimento sectário tem zelo por Deus,

mas é falto de entendimento. Quanto a nós outros, porém, "retenhamos, firmemente, a

nossa confissão" (Hb 4.14b): a confissão acerca de Jesus e seus ensinos, acerca do

pecado como rebelião ativa contra Deus, a doutrina da Igreja de Cristo, Igreja militante que

não se confunde com qualquer corpo terreno, movimento ou igreja local, mas é a vitoriosa e

gloriosa multidão de todos os fiéis de Jesus Cristo nos céus e os que ainda

estamos na terra.

     Enfim, do ponto de vista evangélico ou reformado, ser uma seita, é ter abandonado

a verdade apostólica. Para se identificar uma seita, é tão somente ver o que pensa e

prega sobre os seguintes pontos:

  1. "Só a graça".Ensina que a salvação é ato da misericórdia de Deus, ou fala em purificação nesta vida, ou em algum lugar do além?
  2. E sobre "Só a Fé"? Fala em auto-salvação, boas obras para salvação, ou em guardar elementos da Lei para não perdê-la?
  3. E quanto a "Só a Escritura"? Adiciona livros para complementar a Bíblia? A tradição? Outra fonte tida como profética?
  4. E "Só Jesus" no dizer de 1Timóteo 2.5: "Porque há um só Deus, e um só mediador entre Deus e os homens, Cristo Jesus, homem"? A fé é em Jesus ou é fé na fé? Ou fé na Igreja? Ou numa "rosa ungida", "lenço abençoado", óleo de Jerusalém", "'água do Jordão, e quejandos?

     Os reformadores do século XVI ensinaram que "somos salvos pela pura graça,

mediante unicamente a fé, e temos a Bíblia sagrada como única norma de doutrina e

conduta". Se o grupo foge disso, é seita, fuja dele; se aceita isso, liga-se hereditária

ou espiritualmente à Reforma, é uma Igreja Evangélica. A seita segue uma verdade

pela metade, e verdade incompleta equivale a engodo.

     O monumental ensino é que a Igreja Reformada deve continuar sempre em reforma,

olhando para as suas bandeiras, e se alimentando do referencial do ensino apostólico.

Walter Santos Baptista, Pastor da Igreja Batista Sião em Salvador, BA
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HERESIAS NEOPENTECOSTAIS
     Pr. Airton Evangelista da Costa

     Pastores e demais líderes evangélicos começam a demonstrar preocupação diante

das extravagâncias que estão surgindo nos púlpitos brasileiros. A cada dia que passa

surgem novas práticas anti e extrabíblicas. Não uso, como alguns, o eufemismo de

classificar esses descaminhos de "modismos". Coloco-os no rol das heresias.

     As críticas que antes corriam apenas à boca pequena, agora tomam corpo e são

divulgadas em sites de expressão. A Igreja Evangélica já não pode calar diante de

tamanha irracionalidade. Não desejamos ser julgados pelo pecado de omissão.

O povo brasileiro precisa saber que tais tolices, como a seguir exemplificamos,

estão à margem do Evangelho que nos foi ensinado por Jesus. Na verdade, se trata

de um outro evangelho.

     Em detrimento da Palavra, multiplicam-se os púlpitos festivos. Luzes,

coreografias, encenações inusitadas, objetos ungidos e mágicos, entrevistas com

demônios, amuletos, e outras mercadorias, tudo é válido no desvario em que se envolvem

pregadores e ouvintes.

     A impressão que se tem é que o evangelho, da forma que foi anunciado pelos apóstolos

nos primeiros tempos, já não serve para os dias atuais. Falar de pecado,

arrependimento, perdão e santidade se tornou antiquado, obsoleto, repreensível.

É preciso entreter os ouvintes, apresentar uma nova atração a cada semana,

tudo semelhante ao que vemos na sociedade consumista. Mas o que é preciso mesmo,

e com urgência, é botarmos a boca no trombone e denunciar o que estão fazendo com

o evangelho.

     Ovelhas há que já perderam a noção do que é ser cristão. Não sabem sequer

por que Jesus morreu.

     Têm o dízimo como meio de obter bênçãos espirituais e materiais. Não conhecem

o evangelho da renúncia, da resignação, do sofrimento, do carregar a cruz, do contentar-se

com o pouco. Certa vez conversando com um jovem neopentecostal, ele disse:

"Se sirvo a Jesus, quero ser rico, ter uma boa casa e carro importado". Os anos se

passaram e nada disso aconteceu. Ele e seus pais pararam de ofertar e estão com

a fé em declínio. É o que está acontecendo: gazofilácios cheios, pessoas vazias.

O pai desse jovem me revelou que entrou nessa porque acreditou nas entrevistas que

falam de riqueza fácil. Agora ele percebe que os que estão mais pobres não são

convidados a falar de sua pobreza.

     São de arrepiar os relatos que se encontram no site http://webbethel.com/gondim09.htm,

de autoria do pastor Ricardo Gondim. É difícil de acreditar que um grupo de cristãos, liderados

pelo pastor, alugue um helicóptero e, com dezenas de litros de óleo, passe a ungir a

cidade do Rio de Janeiro, derramando uma caneca de óleo aqui, outra ali. Fico a

meditar como o líder conseguiu envolver irmãos de boa fé nesse projeto inusitado. O óleo

da "unção" deve ter caído em lugares pouco recomendáveis para o mister, tais como

animais mortos, fezes e valas fétidas.

     Mais incrível é o uso de urina para demarcar território. Essa você não vai acreditar. Está no referido endereço. Em Curitiba, um grupo de irmãos, liderado pelo pastor da igreja, entendeu que

deveria demarcar seu território com urina, como fazem os leões e lobos. Após beberem

muita água para encher bem a bexiga, seguiram para pontos estratégicos da cidade e

passaram a URINAR. Quando li a notícia, pensei que a palavra estivesse errada.

Talvez fosse REUNIR. Mas era urinar mesmo. Foram horas e horas urinando.

O comboio de veículos parava em pontos preestabelecidos, e, ali, a um sinal,

um deles aliviava a bexiga. Ora, esse tipo de lógica poderá levar irmãos a

situações mais degradantes ainda. Degradantes, patéticas e irracionais.

Algum irmão desse grupo poderá descobrir que determinada espécie

animal demarca seu território com suas próprias fezes. Certamente não

atentaram para o contido no Art. 233 do Código Penal que trata da prática de

"ato obsceno em lugar público", e estipula a pena de detenção de três

meses a um ano, ou multa. A jurisprudência indica que a micção em lugar

público configura o crime previsto no referido Artigo, ainda que não haja

intenção de vulnerar o pudor público.

     Pelas perguntas e respostas a seguir é possível comparar o evangelho

de ontem com o de hoje. Após ouvirem a pregação de Pedro, muitos,

compungidos, perguntaram: "Que faremos?" Pedro respondeu:

"Arrependei-vos", e cada um de vós seja batizado em nome de Jesus Cristo"

(At 2.37-38). A resposta, hoje, seria: "Participe das campanhas, faça o sacrifício do dar

tudo, e seja próspero". Atendendo à curiosidade de Nicodemos, Jesus disse: "Quem não

nascer de novo, não pode ver o reino de Deus" (Jo 3.3). A resposta no outro evangelho:

"Seja dizimista fiel". Se alguém perguntasse a Tiago o que deveria fazer para livrar-se dos

encostos, ele prontamente diria: "Sujeitai-vos a Deus; resisti ao diabo, e ele

fugirá de vós" (Tg 4.7). A resposta do evangelho festivo seria: "Use sal grosso,

sabonete de descarrego, vassouras, fitas, colares, cajados, pedras, e seja dizimista fiel".

Se o pecado do rei Davi - adultério e co-autoria num homicídio - fosse nos dias de hoje,

a culpa seria do encosto que estaria nele. Uma série de exorcismos, cinqüenta quilos de

sal grosso, uma dúzia de sabonetes seriam necessários para pôr o encosto em retirada.

Às indagações sobre como ter o necessário à vida, Jesus respondeu: "Não pergunteis

que haveis de comer, ou que haveis de beber, e não andeis inquietos. Buscai antes o

reino de Deus, e todas estas coisas vos serão acrescentadas" (Lc 12.29,31). A resposta

no evangelho da prosperidade: "Toque no lençol mágico".

     O Apóstolo Paulo confessa que "orou três vezes ao Senhor" para que o livrasse de um

espinho na carne. Mas o Senhor, em vez de atendê-lo, respondeu: "A minha graça te

basta, pois o meu poder se aperfeiçoa na fraqueza". Reconhecendo a vontade soberana de

Deus, Paulo se conforma e continua com seu espinho. E declara: "Portanto, de boa vontade

me gloriarei nas minhas fraquezas", pelo que "sinto prazer nas fraquezas, nas injúrias, nas

necessidades, nas perseguições, nas angústias por amor de Cristo. Pois quando estou fraco,

então é que sou forte" (2 Co 12.7-10). A orientação para esses casos, nos púlpitos festivos,

é a seguinte: "Exija de Deus seus direitos". Sofredores como o Apóstolo, o servo Jó e

muitos outros desconheciam esse caminho "legal" para exigir direitos assegurados.

     Pedir, do grego aiteõ sugere a atitude de um suplicante que se encontra em posição inferior

àquele a quem pede. É esse o verbo usado em João 14.13 - "E tudo quanto pedirdes em

meu nome..." - e 14.14 - "Se pedirdes alguma coisa em meu nome, eu o farei". "Pedir", d

o grego erõtaõ, indica com mais freqüência que o suplicante está em pé de igualdade ou

familiaridade com a pessoa a quem ele pede, como, por exemplo, um rei fazendo pedido

a outro rei. "Sob este aspecto, é significativo destacar que o Senhor Jesus NUNCA usou

o verbo aiteõ na questão de fazer um pedido ao Pai", por ter dignidade igual Àquele a

quem pedia. (Jo 14.16; 17.9,15,20 - Fonte: Dic. VINE). Por essas e outras, há muita gente

confundindo alhos com bugalhos.

     Repassa-se a idéia de que crente não deve chorar nem passar por qualquer tipo de

sofrimento. Crente deve ser próspero. A verdade, por muitos desconhecida, é que a

fidelidade a Deus não nos garante uma vida livre de dores, aflições e sofrimento.

Dizer que aos crentes e fiéis dizimistas está garantida uma vida de flores, sem lágrimas,

sem luta espiritual, sem aperto financeiro, é conversa para boi dormir. Jesus disse

que seus seguidores deveriam carregar sua própria cruz, caminhar por um caminho

apertado e passar por uma porta estreita "No mundo tereis aflições; na verdade todos

os que desejam viver piamente em Cristo padecerão perseguições" (Jo 16.33; 2 Tm 3.12).

Era da vontade de Deus que Paulo pregasse o evangelho em Roma. Apesar de

sua fidelidade a Deus, os caminhos lhe foram difíceis. Enfrentou provações várias,

naufrágio, tempestade, prisões.

     Não podemos fazer ouvidos moucos à zombaria e piadas em torno desse

"outro evangelho". As pessoas tendem a nivelar todas as Igrejas Evangélicas pelo

que vê na televisão, ou pelo que vê num ou outro culto. Eu pensaria da mesma

forma se não fosse evangélico. É preciso esclarecer a opinião pública sobre o que diz a

Bíblia a respeito de cada nova idéia extravagante. Que se façam ouvir as vozes e o

protesto dos líderes que defendem a pregação de um evangelho livre de heresias

e irracionalidade.

     Sem conhecer a verdade bíblica se torna difícil detectar as heresias.

Ouça este conselho: não coma pela mão dos outros, mas examine você mesmo se o

que o seu pastor prega está de acordo com a Palavra. Se você não estiver devidamente

preparado para esse exame, consulte outros irmãos. 19.01.2004

Pr. Airton Evangelista da Costa
E-Mail: Este endereço de e-mail está protegido contra spambots. Você deve habilitar o JavaScript para visualizá-lo.
www.palavradaverdade.com

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