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A fé e as emoções

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Prof. Anísio Renato de Andrade


A espiritualidade não pode depender dos sentidos ou dos sentimentos.

Onde está o fundamento da nossa relação com Deus? O desânimo nos faz desistir da obra

do Senhor? Adoramos apenas quando estamos alegres? Precisamos sentir um arrepio para saber que Deus está presente?

Os sentidos físicos são fundamentais para a comunicação do homem com o mundo material.

Por meio deles, o corpo transmite impressões à alma, produzindo emoções e sentimentos.

Entretanto, tais faculdades físicas e psicológicas não são eficazes em relação ao mundo

espiritual, tendo apenas uma participação secundária e eventual. Como disse Paulo, embora

Deus não esteja longe de cada um de nós, não podemos localizá-lo por meio do tato (At.17.27).

Também não somos capazes de ver o seu rosto.

É verdade que os sentidos são úteis porque através deles recebemos a palavra de Deus.

“A fé vem pelo ouvir, e o ouvir pela palavra de Deus.” (Rm10.17). Uma vez gerada em nós, a

fé passa a ser o fator dominante na nossa relação com o Senhor. O mais importante não é o

que vemos ou o que sentimos, mas o que cremos com base na palavra de Deus. Está escrito:

“O justo viverá pela fé” (Hab.2.4).

Nossa vida não pode ser conduzida exclusivamente pelos sentidos físicos, pois eles estão

sujeitos ao engano. O mal está por toda parte e, muitas vezes, se apresenta com boa aparência

(II Cor.11.13-14). É o lobo com pele de cordeiro (Mt.7.15). Podemos comparar essa realidade

àquele episódio, quando Jacó se cobriu com a pele de um animal para se fazer passar por seu

irmão Esaú. Os sentidos físicos de Isaque foram enganados, principalmente porque um deles,

a visão, já não funcionava (Gn.27).

No episódio da tentação, Eva ouviu a voz do Inimigo; ficou deslumbrada ao ver o fruto proibido

e acabou tocando nele e comendo-o. Seus sentidos foram atraídos e dominados pelo mal (Gn.3).

Outro exemplo pode ser observado em I Samuel 16. O profeta ficou admirado com a aparência

dos irmãos de Davi e, por pouco, não ungiu a pessoa errada.

Concluímos que os sentidos físicos podem ser iludidos, levando a alma ao engano de

emoções manipuladas. Constatamos isso, por exemplo, no poder dos filmes e novelas que

provocam o riso, o choro, a simpatia e a ira diante de situações irreais.

Temos a tendência de viver dependendo daquilo que sentimos ou vemos. Quando estamos

diante de algo com aparência grandiosa, ficamos impressionados e isso pode afetar

indevidamente nossa espiritualidade. Por isso é que as imagens de ídolos e as grandes

catedrais são tão importantes em algumas religiões. Em alguns casos, as chamadas artes

sacras são usadas na tentativa de se preencher o vazio de uma doutrina mentirosa.

Qualquer estátua que se fabrique, tendo qualidade artística, será facilmente aceita como objeto

de culto, ainda que não represente uma pessoa real. Os discursos eloqüentes também podem

exercer uma influência muito forte, mesmo que a sua mensagem seja uma heresia. A visã

o e a audição despertam nossas emoções e isso pode ser confundido com experiência

espiritual.

A fé na palavra de Deus é a base sólida de uma espiritualidade sadia.

Fé não é sentimento. É certeza, convicção. Por meio da dela, nosso espírito tem acesso a Deus

e ao mundo espiritual.

Observemos a firmeza da fé nas palavras do apóstolo: “Sabemos que todas as coisas

concorrem para o bem daqueles que amam a Deus...” (Rm.8.28). Paulo não disse: sentimos

ou vemos, mas sabemos. É algo claro, concreto e inabalável. Se Deus disse algo, nós sabemos

que isso é realidade. Não dependemos de sentir ou ver alguma coisa.

Quando Jó estava mergulhado em sua tribulação, ele disse: “Eu sei que o meu Redentor vive e

que por fim se levantará sobre a terra” (Jó 19.25). Se Jó fosse depender de seus sentidos

e sentimentos, estaria perdido.

Jesus disse: “Onde estiverem dois ou três reunidos em meu nome, aí estou eu no meio

deles” (Mt.18.20). Sua palavra é o que nos basta. Se sentimos a sua presença, ele está

entre nós. Se não sentimos, ele está também. Devemos crer porque ele prometeu.

Como disse Paulo: “Andamos por fé e não por vista” (II Cor.5.7). Esse é um dos

aspectos do “andar no espírito”, outra expressão paulina (Gál.5.16).

Mesmo que a realidade exterior tente me convencer do contrário, eu devo permanecer firme

pela fé. As circunstâncias podem ser adversas, mas a palavra de Deus permanece imutável.

Se estivermos firmados nela, também seremos inabaláveis.

Outras palavras chegarão aos nossos ouvidos. Nossos sentidos serão assediados por

muitas influências, mas nossa vida espiritual deverá estar fundamentada na fé que

depositamos sobre a palavra de Deus.

Emoções controladas pelo espírito.

Com tudo isso, não estamos desvalorizando as emoções humanas, mas apenas

colocando-as nos seus devidos lugares. Vivendo pela fé, o Espírito Santo age em nosso

espírito, que muitas vezes alcança nossa alma produzindo emoções. Um dos aspectos do

fruto do espírito é a alegria (Gal.5.22). Esta não depende de estímulos externos, mas vem de

dentro para fora, até mesmo em meio às tribulações.

Os sentimentos não podem ser ignorados, mas não podemos ser controlados por eles.

Assim como os sentidos físicos, as emoções são importantes na experiência espiritual,

mas não são determinantes. Quem vive movido por sentimentos será uma pessoa instável

e sempre desconfiada em relação às coisas de Deus.

Nossa filiação divina, o perdão dos nossos pecados, a certeza de vida eterna e a posse dos

nossos direitos espirituais não dependem daquilo que sentimos, mas da palavra de Deus,

que é fiel e não pode mentir. Devemos encarar tudo isso como fatos espirituais consumados.

Nosso compromisso e fidelidade ao Senhor também não podem depender de sentimentos.

Não seremos movidos pelo entusiasmo nem detidos pelo desânimo. Estamos determinados

a continuar nosso trabalho até o fim. Emoções negativas podem ser ameaçadoras, mas

iremos apresentá-las ao Senhor em oração para que ele as controle pelo seu Espírito.

Vivendo pela fé seremos firmes. “Os que confiam no Senhor são como os montes de

Sião, que não se abalam, mas permanecem para sempre” (Salmo 125.1).

 

Estudo sobre a fé


(mensagem edificativa) Texto: Hb.11.1-6. - Conceito - Fé - uma habilidade do espírito -

Fé e confiança. - Fé e obras. - A base da fé. - A origem e o uso da fé. - O objetivo principal da fé. Resumo

conceito sobre fé: certeza daquilo que não se vê. A fé é uma habilidade do espírito. O corpo e a

mente estão muito dependentes do que pode ser visto e sentido. O espírito depende da fé. Assim

, o cristão deve viver pela fé e não pela vista (II Cor.5.7). O que Deus disse pode até não combinar

com a realidade visível (Hb.11.26-27). Porém, o que ele falou é verdade. Por isso é que não

dependemos de imagens de escultura para estimular nossa comunhão com Deus. As imagens

atendem ao que o corpo quer ver.

A confiança é um estado avançado da fé. Confiar é se entregar pela fé. Crer é importante, mas

precisamos alcançar o nível de confiar no Senhor (Salmo 37.5). Crer em Deus até o Diabo

crê (Tg.2.19). Ilustração: Um homem esticou um cabo de aço sobre as cataratas do Niágara,

que ficam na divisa entre o Canadá e os Estados Unidos. Em seguida, atravessou andando

sobre o cabo de aço. Foi e voltou. A multidão, extasiada, aplaudiu. Aproximando-se de uma velha

que estava no meio do povo, aquele homem perguntou: "A senhora acredita que eu consiga

atravessar novamente?" "É claro!" - respondeu a mulher entusiasmada. "Eu conseguiria atravessar

levando um carrinho de mão?" "Tenho certeza que sim!" (Observe que a mulher acreditava).

"A senhora acredita que eu poderia levar uma pessoa dentro desse carrinho?" "É claro que eu

acredito!" - insistia a mulher. "Então", disse o homem, "a senhora poderia, por favor, entrar no

carrinho?" "De jeito nenhum. O senhor está louco????" A mulher cria mas não confiava. Assim,

não basta acreditar que Deus existe. Isso é um bom começo. Porém, é necessário o

compromisso com ele e a entrega da vida em suas mãos. A fé precisa se mostrada

através das obras (Tg.2.15-17). Não dependemos de obras para sermos salvos, mas a nossa

fé, se existir, vai produzir obras. Isso não é apenas caridade, mas todo tipo de ação

justa e positiva. A base da fé: a palavra de Deus.

Em quê nós vamos crer? Já que a fé é a certeza do que não vemos, então poderíamos

acreditar em qualquer coisa, mesmo que ela não existisse. Todavia, a fé do cristão está

baseada em um sólido fundamento: a palavra de Deus. Se Deus disse algo, então podemos

confiar totalmente. Por isso a bíblia é a nossa regra de fé e prática. Existe muita gente por

aí tentando exercer fé sobre algo que Deus não disse. Eu posso crer que Deus vai me dar

condições para comprar uma grande empresa? Só poderei acreditar nisso se ele tiver me

PROMETIDO isso clara e especificamente. Pedro desceu do barco para andar sobre as águas

(Mt.14.28) porque Jesus disse: VEM. Os outros discípulos não poderiam descer pois não foram

chamados. Isso nos faz lembrar de pessoas que vão para o campo missionário com toda "fé" e

fracassam. Não foram chamadas. Então, sua fé não tinha nenhum fundamento.

Em outra passagem,  os discípulos estão tentando pescar (Lc.5.5).

Então Jesus manda que eles lancem as redes

novamente. Pedro disse: "Sobre a tua palavra lançaremos as redes." Isso é AÇÃO baseada

numa FÉ fundamentada na PALAVRA de Jesus. A fé deve produzir ação. O resultado é o FRUTO.

A origem e o uso da fé. A nossa capacidade de crer e a medida da nossa fé é algo que Deus

nos dá (Rm.12.3). O que fazemos com a fé que Deus nos deu? podemos usá-la, fazendo-a

crescer ou podemos perdê-la. Podemos comparar isso à parábola dos talentos. Quem usa,

ganha mais, quem não usa perde. (Mt.25.14). (Lc.17.5). Paulo manteve sua fé até o fim (II Tm.4.7).

Outros, porém, a perdem. Nossa fé aumenta na medida em que conhecemos a bíblia (Rm.10.17) e

também na medida em que exercitamos nossa fé. Isto é semelhante ao que ocorre com os

músculos daqueles que fazem exercícios físicos. Se não usarmos nossos músculos eles se

atrofiarão. Exercitamos a fé quando oramos e quando agimos de acordo com aquilo que

cremos. O resultado ou a resposta irão aumentar a nossa fé.

O objetivo principal da fé é a salvação. Ef.2.8-9; I Pd.2.9 Usamos a fé para alcançar todo tipo

de bênção. Porém, seu objetivo maior é a nossa salvação. Precisamos tomar cuidado

para não desvirtuarmos o uso da fé como se a mesma existisse simplesmente para

atender aos nossos desejos e necessidades temporais.

 

Paradoxos da fé moderna

A revista Veja encomendou ao Instituto Vox Populi uma pesquisa em todas as regiões

brasileiras sobre a fé em Deus. O resultado foi publicado na edição do dia 2 de abril, e

trouxe informações surpreendentes. Entre os dados mais interessantes, destacamos:

99% dos entrevistados afirmam crer em Deus. Entretanto, 9% dizem não ter religião e 57%

não freqüentam assiduamente nenhuma igreja ou culto religioso. Esse é o retrato de uma

sociedade que divorciou a fé da prática religiosa.

É bom sabermos que quase todos os brasileiros crêem em Deus. Porém, para muitos,

essa fé não tem tido utilidade.

Lembremo-nos do que escreveu Tiago: "Tu crês que há um só Deus? Fazes bem.

Também os demônios crêem e estremecem... A fé sem obras é morta." (Tiago 2.19-20).

Conforme exata observação do rabino Sobel, aquele que crê em Deus, vive com ele ou

contra ele. A fé não é em si mesma um produto acabado. É preciso saber o que se fará

com ela. Há que se tomar uma posição positiva ou negativa em relação àquele em quem se crê.

Você crê em Deus? Isto é excelente. É o primeiro passo. Entretanto, após a fé deve vir

a experiência, que é o resultado da fé. Se você ainda não teve nenhuma experiência

com Deus, busque-a de todo o coração. Se você já teve, clame por novas experiências.

Não viva apenas da história. Essa experiência pode ser a conversão, o batismo com o

Espírito Santo, dons espirituais, curas, respostas de oração, etc.

O que não pode acontecer é professarmos uma fé morta, uma fé apenas teórica, obscura

e que, por falta de evidências, tenha uma existência profundamente questionável.

Se você crê na Bíblia, deve lê-la e estudá-la. Se você crê no valor do jejum, deve jejuar.

Não permita que sua fé seja inútil. Assim, ela seria como um cheque preenchido com

grande valor, mas que nunca foi descontado.

Depois da experiência vem o compromisso. Deus não quer que as pessoas sejam curadas ,

abençoadas e depois desapareçam da igreja. A fé terá atingido seu objetivo se houver

compromisso com Deus. Ser membro da igreja e freqüentar os cultos é importante,

mas não é tudo. O compromisso com Deus vai além. Está relacionado ao nosso

modo de vida. O cristão verdadeiro não se limita à prática de ritos religiosos, mas busca agradar

a Deus em tudo, procurando saber a vontade divina para todas as decisões de sua vida.

Desse modo, nossa fé será produtiva e nossa vida se tornará um culto constante ao Senhor.


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